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E o que é que têm a dizer meus amigos? Arte contemporânea no Museu do Côa...

"Director do Igespar defende arte contemporânea no Museu do Côa"(PÚBLICO-23.09.09)


"O novo Museu do Côa - cuja abertura está prevista para breve embora ainda sem data marcada - é "um espaço fantástico do ponto de vista arquitectónico, com condições excelentes para concertos, festivais, bienais de artes plásticas", diz o director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), organismo que tem neste momento a gestão do projecto.

E é por acreditar que ali "o contemporâneo deve conviver com o passado" que Elísio Summavielle defende, numa entrevista conjunta ao PÚBLICO e à Rádio Renascença, "um modelo de gestão alargado e mais autónomo do que seria o de um museu apenas de arqueologia paleolítica".

"A âncora ali são as gravuras [de arte rupestre paleolítica], mas é um museu de arte e esta vai até ao século XXI", afirma Summavielle. E sublinha: "É uma casa que necessita de um gestor cultural." Além disso, deverá ter "um considerável grau de autonomia, nomeadamente financeira, em relação ao Ministério da Cultura e Igespar", com um modelo de gestão que pode passar por uma fundação ou uma sociedade empresarial com o Estado como principal accionista, e que envolva a Associação de Municípios do Vale do Côa e produtores privados.

Contestação é "localizada"

Questionado sobre as críticas dos arqueólogos à política para a arqueologia desenvolvida pelo Igespar (que voltaram a ser repetidas num debate organizado na semana passada em Lisboa pela Associação dos Arqueólogos Portugueses), Summavielle considera-as "situações de contestação perfeitamente localizadas, que vêm do ex-Instituto Português de Arqueologia".

Por outro lado, "há no terreno milhares de arqueólogos a operar, através de empresas da área da arqueologia preventiva", e entre estes não tem "colhido essa contestação". Esta é até, afirma Summavielle, "uma actividade que aumentou muito nos últimos três anos" e onde existe "um volume de negócios bastante considerável", até porque, por lei, os promotores imobiliários são obrigados a fazer escavações antes de iniciarem as obras.

Summavielle, no cargo há quatro anos, admite que o PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado) para a Cultura lhe causou algumas dificuldades. Embora reconheça que "faz sentido que as cinco regiões [para as quais existem Direcções Regionais de Cultura] tenham autonomia para fazer investimentos e gerir o seu património classificado", acha que devia haver ajustes em relação à salvaguarda desse património.

"Devíamos ter extensões regionais nas cinco regiões", diz, o que permitiria ao Igespar acompanhar desde o início um pedido de parecer para intervenções em áreas de património protegido. Actualmente o processo é iniciado pela Direcção Regional, cujo parecer não é vinculativo, e só passados 25 dias é que chega às mãos do Igespar, que dá o parecer final (vinculativo) e que pode ser contraditório com o da DRC. "Era importante que quem dá a cara e o parecer vinculativo acompanhasse o processo desde o início."

Alexandra Prado Coelho

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1401938&idCan...

Tags: arte, contemporânea, museu_coa

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Respostas a este tópico

Acabo de chegar a esta rede e este tópico de discussão, embora iniciado há algum tempo já, pareceu-me muito interessante.

O comentário da Raquel Magalhães abre uma questão interessante: como é que as artes se "relacionam" entre si? Que "critérios" são esses?

Pelo trabalho que me foi dado a desenvolver até hoje, parece-me que certas "artes" - temporal e geograficamente localizadas - continuam a ser tratadas por profissionais de diversa formação exclusivamente do ponto de vista técnico e material (no sentido mais restrito do termo "material"). Muito trabalho é dedicado a essas "artes" mas muitas vezes com o sentido de compreender movimentos de populações, influências, usos materiais.
Por exemplo, relativamente à arte africana ou à arte rupestre poucas vezes se procura compreender qual terá sido o grau de fruição estética dos artistas respectivos ou de que forma certas manifestações artísticas se poderão inscrever num contínuo estético. Esta investigação parece-me importante na medida da influência que estas artes, por mais diversas entre si, tiveram sobre a arte contemporânea e na própria criação da ideia de arte.

Parece-me uma excelente ideia unir a arte paleolítica à arte contemporânea e não apenas na perspectiva de atrair públicos, mas principalmente na perspectiva de multiplicar leituras. Se se criassem colecções e espaços de exposição para atrair públicos, pouco espaços se criariam, afinal.

Frederica Jordão

Raquel Magalhães disse:
Em teoria (e à partida) parece-me bem que a arte contemporânea, enquanto elemento dinâmico e actual, se relacione com a arte rupestre, desde que se relacione de facto... desde que existam critérios que estejam de acordo com a actividade do museu, se não andam todos a expor o mesmo...

Raquel Mag.

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