III Congresso de Educação em Artes Visuais
III Congresso de
Educação em Artes Visuais, "Por um diálogo entre as Artes",
Universidade de Barcelona por Maria Genoveva Moreira
Oliveira Universidade de Évora, Portugal.

O III Congresso de Educação em Artes Visuais decorreu na
Universidade de Barcelona, na Faculdade de Geografia, História e
Filosofia, entre os dias 3 e 5 de Setembro de 2009.Investigadores,
Artistas, Técnicos de Museus, Professores e Estudantes estiveram
num debate critico e caloroso, de uma forma participativa e activa,
apesar do imenso calor e humidade que se fazia sentir lá fora. As
salas cheias e os debates criaram entusiasmo. Tenho pena do que não
vi e ouvi. Lamentavelmente com o extenso programa não podemos ter
acesso a todas as comunicações, mas partilho convosco a experiência
rica a que tive a oportunidade de assistir e participar. Dado o meu
interesse no tema, estive fundamentalmente na mesa de trabalho
sobre Educação e Museus. Foi crucial o trabalho atento e muito
activo das moderadoras como Mar Morón, Carla Padró, Teresa González
e Roser Joanola que se preocuparam em questionar, problematizar,
mas também sintetizar as ideias chave das apresentações. A
importância do processo da investigação, das teorias
construtivistas na educação artística, a forte "marca"
institucional associada à arte, a actividade marcadamente
burocrática dos professores impedindo-os de ter um "espaço" mental
para a criatividade, a importância do curriculum transversal e
interdisciplinar na educação artística, os diversos projectos
pedagógicos/artísticos que envolvem escolas e museus levam-nos a
questionar: Expor? Visualizar para quê? Para quem? Porque fazemos
estes projectos educativos? O que podemos fazer quando preparamos
estes projectos? Como decidimos? O que é realmente Educativo? Qual
é a relação Escola/Museu? Qual é o nosso papel? Quem toma a
iniciativa? A escola? Os alunos? O museu? As universidades? Como se
"joga" entre "as margens" das instituições? Como construo o meu
relato? Quero ensinar ou também quero aprender? O que se pode
aprender com os alunos? O que se pode aprender com os professores?
É necessário dar "voz" aos que participam em todas as componentes
do trabalho, há diferentes "vozes" no discurso, um discurso
ideológico que se manifesta de diversas formas, culturalmente
compartido, com várias narrativas, a do Artista, do Professor, do
Curador, Educador do Museu. É necessário tomar uma posição que se
pode manifestar através do registo do que fazemos, desenvolver uma
ideia, dar visibilidade para poder reflectir. Em várias
apresentações houve uma manifesta preocupação com o que se passa na
escola após a visita ao museu. Como se desenvolve o processo de
aprendizagem após a visita? É fundamental criar um caminho de
proximidade na pré-visita, visita e pós-visita entre a escola e o
museu. Aprender/Ensinar implica problematizar de forma permanente.
Maria Acaso da MUPAI trouxe-nos interessantes reflexões numa linha
de pensamento "rizomática"; como investigadores devemo-nos
preocupar com as metodologias. Porque não um modelo pedagógico
rizomático nos museus? A sociedade é uma plataforma em constante
mudança. Há que ter a capacidade para observar a constante
alteração e encarar cada grupo, cada pessoa de forma diferente e
ter a capacidade de criar novos métodos. Maria propõe um MANIFESTO
no sentido de se criar uma análise do curriculum, reflectir,
posicionarmo-nos, escrever e MOSTRAR. Os educadores dos museus
deveriam poder gerar o seu próprio discurso em benefício do seu
grupo profissional e da coerência da prática educativa. A
coordenação entre Centros de Arte, Museus, Departamentos Educativos
e Comissários pode gerar experiências de grande interesse. Carla
Padró e Fermín Soria ofereceram-nos uma "performance" curiosa
realçando os diferentes públicos e os diferentes olhares dentro do
museu. Ir a um museu é também uma construção social. Onde se
enquadram as teorias feministas e Queer nos Museus de Arte Moderna
e Contemporânea? Impõe-se a urgência da formação, de educar as
pessoas para serem mais livres a pensar e a "olhar" a arte. Há
muitas interpretações no "olhar".O objectivo é abrir possibilidades
de diálogo, de diferentes discursos. Poderia falar-vos de inúmeros
projectos e apresentações de excelente qualidade. É uma satisfação
saber que se produz qualidade e massa crítica em Portugal, Espanha,
Brasil (não tive a oportunidade de observar apresentações de outros
países). O Congresso terminou com uma palestra de John Steers,
ex-Presidente do Conselho Mundial da InSea que nos apresentou as
alterações do Curriculum do ensino secundário (e 1º Ciclo sendo
este mais recente) em Inglaterra, criando-se um curriculum
multidisciplinar, com mais flexibilidade, criando um espaço para um
desafio mais pessoal, maior inovação, maior participação numa
aposta de 700 000 euros. Dá que pensar...espero que outros governos
europeus e não europeus sigam os mesmos caminhos, que seja criado
um novo caminho de reflexão.