
Entrevista a Virgílio Hipólito Correia Director do Museu
Monográfico e Ruínas de Conímbriga
EntrevistaVirgílioHipólitoCorreiacorrect _2_.pdf Conímbriga,
31/03/09 por Cassilda Cunha, Mariana Pereira, Joana Castro
Teixeira e Joana Santos alunas do 2º Ciclo em Arqueologia -
Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Portugal Virgílio
Hipólito Correia comemora este ano o 10º aniversário da sua tomada
de posse como Director do Museu Monográfico de Conímbriga. A sua
ligação ao museu e às ruínas é contudo muito mais antiga pois já
antes exercia funções nessa instituição, que se tornou numa
verdadeira Escola, marcante no percurso de todos os que dela vão
fazendo parte. No entanto, na opinião do Director, “a eternização
dos directores nos museus não é bom e devia haver um limite à
permanência”. Com efeito, esclarece Virgílio Hipólito Correia que o
exercício do cargo por tempo demasiado longo, cria ligações
umbilicais que se reflectem inevitavelmente na imagem e
funcionamento do museu: “Deixa de ser o museu X ou Y, para ser o
museu de A ou de B”. A anterior direcção do museu e ruínas [Adília
Alarcão] exerceu funções durante mais de trinta anos e a sua
influência ainda se nota pois há uma assumida continuidade em
várias linhas de actuação, segundo nos referiu Virgílio Hipólito
Correia. Na altura em que assumiu o cargo de Director, o museu
encontrava-se “marginalmente em melhores condições, sobretudo no
que diz respeito às funções relativas à conservação e restauro”. Na
altura o laboratório contava com cinco funcionários. Actualmente
funciona apenas com dois. Há contudo aspectos que conheceram um
manifesto melhoramento, nomeadamente no que diz respeito ao serviço
educativo que, como frisa o Director do museu: “estava diminuído e
agora, embora ainda não esteja bem, já há uma atitude mais directa
e sistemática”. Na verdade, ainda nos tempos da antiga direcção,
havia um elevadíssimo número de visitas escolares. Chegou a
registar-se 70 000 visitas de público escolar por ano. Ora este
número era claramente superior à capacidade de gestão das visitas
do museu/ ruínas. Dessa forma, o serviço educativo resumia-se a um
acolhimento orientado considerado mínimo e eram na verdade os
próprios professores que se encarregavam de conduzir as visitas. A
situação foi melhorando à medida que a tendência da organização de
visitas de escolas se deslocou no sentido de se realizarem com
grupos mais pequenos de alunos: “deixavam de vir as escolas
inteiras, mas apenas uma ou duas turmas de cada vez.” Por outro
lado, a marcação antecipada das visitas passou também a permitir a
preparação prévia por parte do museu, para adequar da melhor forma
os seus recursos às mesmas e assegurar assim um muito melhor
acolhimento e acompanhamento. A visita de pequenos grupos de alunos
tornou também possível a realização de ateliers. Mais recentemente
contudo, e em associação às alterações que tem sofrido o sistema de
ensino português, a tendência parece voltar a ser a das visitas
“para o agrupamento escolar inteiro, o que cria um problema de
gestão interna do museu, uma vez que não estão criadas as condições
de logística e de pessoal adequadas a um tão elevado número de
alunos em simultâneo”. Uma vez questionado acerca do projecto
actual do museu, Virgílio Hipólito Correia é peremptório: “ Eu não
vejo as coisas só pela perspectiva do museu”. Com efeito, a sua
prioridade aquando da tomada de posse como Director foi
precisamente intervir nas ruínas, o que considerou como sendo a
primeira fase do seu projecto. Na verdade, até então “o percurso
visitável era o mesmo que em 1940”. Ainda como técnico, o agora
Director fez parte do júri de selecção da equipa de intervenção de
um projecto apresentado pelo IPM para conservação e preservação das
ruínas. Os resultados foram aprovados, no entanto a prioridade para
execução do projecto não parecia ser a maior. Já como Director,
Virgílio Hipólito Correia fez pressão para os objectivos serem
concretizados: “em 2004 houve orçamento PIDDAC e em 2006 foram
inauguradas as ruínas com alargamento das visitas a todo o espaço
escavado.” Para 2009 “pensa-se num novo projecto, numa segunda fase
de intervenção. Já desde 1954 se diagnosticava o problema: parte da
cidade romana ainda está nas mãos de particulares”. Desta forma,
assume o Director como grande prioridade a aquisição desses
terrenos, bem como a intervenção na área norte da cidade romana,
definindo-se a entrada de Condeixa-a-Nova: “assim ficaremos com a
cidade enquadrada de forma modelar em termos europeus. E quando se
chegar a este ponto, dir-se-á que sim, que poderá ser necessário um
novo museu. Mas dar esse passo antes de se investir nas ruínas não
se justifica. Não haveria museu sem a cidade romana”. Esta será já
na verdade uma terceira fase de intervenção: “um museu novo, com um
projecto novo, talvez um edifício novo e até uma nova localização”.
Quanto ao actual museu, “quando foi remodelado [em 1985] era
porventura o melhor museu de arqueologia da Península; porém, com
vinte e tal anos de envelhecimento... o museu está bem enquanto se
aguentar”. Quanto ao público do museu e ruínas de Conímbriga,
define-o Virgílio Hipólito Correia, como sendo “um público muito
variado, o que traz dificuldades de gestão e de comunicação. Além
do público escolar, há uma franja de público proveniente do chamado
turismo cultural, minoritária mas muito importante, pois trata-se
de um público informado e que busca informação de qualidade, é um
público exigente. Quantitativamente, a fracção mais significativa é
aquela que podemos considerar como sendo um “público médio”, que
muitas vezes se organiza em excursões e visitam os sítios mais
emblemáticos e que tradicionalmente são conhecidos como “atracções
turísticas” – ou “locais-chave”. Efectivamente, segundo refere o
Director, desde os anos 50/60, que Conímbriga é destacada como
local a visitar em qualquer programa turístico: “goza assim de uma
certa tradição que se mantém até hoje, fazendo com que Conímbriga
se mantenha presente na memória das pessoas e dos próprios
programas de estudo escolar, mesmo não existindo actualmente
qualquer acção de marketing da nossa parte, pois nem se dispõe de
verba para tal”. Acerca do público do Museu Monográfico e Ruínas,
acrescenta Virgílio Hipólito Correia: “Temos ainda uma franja
curiosa de um público que provém do designado “turismo religioso”,
uma vez que Conímbriga acaba por se situar numa das rotas
principais do trajecto de e para Fátima”. Na verdade, segundo nos
esclareceu o Director, a própria Diocese de Coimbra valoriza e
sublinha a sua ligação histórica a Conímbriga, considerando-se
descendente do legado Visigótico, uma vez que era Conímbriga a sede
de diocese primitiva – testemunhada aliás nas ruínas da basílica
paleocristã que os visitantes podem observar durante a visita ao
sítio. A heterogeneidade do público que visita Conímbriga, com tudo
o que tem de positivo, não deixa de representar também uma
responsabilidade acrescida: “há dificuldades em falar, em nos
dirigirmos da forma adequada para os diversos públicos”, diz
Virgílio Hipólito Correia. Segundo este, há sobretudo um turismo
popular, pouco informado, que embora sendo pouco exigente deveria
ter um discurso a ele adequado: “não só por constituir um número
significativo de visitantes em termos estatísticos, mas sobretudo
porque o museu é um local com função educativa” - diz o Director.
Mas não há actualmente condições para assegurar essa variabilidade
de discursos por muito consciente que a direcção possa estar do
problema e por muita vontade que tenha de o resolver. “Há ainda o
problema da sinalética nas ruínas...”, diz Virgílio Hipólito
Correia, que considera de resto esta questão da sinalética
problemática em si própria: “Podemos pensar que o melhor que
podemos ter são placas informativas – mas mesmo estas podem ser de
difícil interpretação para muita gente. Uma planta por exemplo,
temos de ter em conta que nem toda a gente estará capaz de ler uma
planta...”. Assim, lutando contra as dificuldades, o Director do
Museu Monográfico e Ruínas de Conímbriga releva mais uma vez a
importância da marcação atempada das visitas dos grupos por forma a
mobilizar os recursos humanos, em número manifestamente
insuficiente, da forma que melhor permita colmatar as possíveis
lacunas. Segundo nos esclareceu, há sempre formas de adequar o
acolhimento: no caso de visitas de grupos de estudantes das
faculdades, por exemplo, estas são estendidas ao “backstage” do
museu, aos laboratórios, onde há um contacto aberto e dinâmico com
o pessoal técnico que tem resultado bem e motiva ambas as partes.
De resto, acrescenta Virgílio Hipólito Correia: “Tentamos ter os
nossos instrumentos de divulgação dirigidos a um público médio,
digamos assim. Algum público mais exigente pode ficar decepcionado,
mas tem também acesso a outro tipo de informação, por outro lado.”

Se a resolução do problema podia passar pelas tradicionais “visitas
guiadas”, como à partida se poderia pensar, Virgílio Hipólito
Correia mantém-se reticente: “O problema do cicerone é terrível...
É muito difícil manter-se nos “guias” um discurso cientificamente
correcto. Trata-se de um trabalho muito repetitivo e o discurso
vai-se naturalmente alterando, degradando...e depois sofrem o
efeito constante das perguntas que o público vai fazendo, que são
directas – podem ser estranhas por um lado, mas são muitas vezes
também as mais óbvias possíveis – no entanto nem toda a gente é
capaz de dar respostas adequadas, pois exigem conhecimento
científico e técnico especializado, pessoal altamente formado e
treinado”. O acolhimento ideal deveria portanto, segundo o Director
do museu, passar por uma interacção sistemática entre o público e o
pessoal técnico, e entre o público e os diversos sectores do museu,
que incluísse uma certa rotatividade nas funções desse mesmo
pessoal – pessoas em funções flutuantes, por forma a não estagnar
os discursos. O Museu Monográfico de Coimbra foi o terceiro museu
mais visitado em Portugal em 2008, segundo os dados do IMC. Isto é
um grande incentivo, como nos confirma Virgílio Hipólito Correia,
no entanto, por entre um encolher de ombros desabafa: “...o
problema está em não ter a estrutura para receber os visitantes que
temos”. Segundo nos explicou, no âmbito do PRACE (Programa de
Reestruturação da Administração Central do Estado) foram requeridas
análises de funções e de pessoal. Concluiu-se na altura que para o
adequado atendimento ao público e para assegurar o bom
funcionamento dos projectos de investigação e conservação, o
capital humano do Museu Monográfico e Ruínas de Conímbriga deveria
contar com um total de 76 funcionários. Na realidade contam-se
apenas 28, estando prevista a admissão de mais 7 guardas. Termina
assim Virgílio Hipólito Correia esta nossa entrevista, lamentando a
forma como as funções da direcção acabam por estar condicionadas:
“Pretende-se sempre um acréscimo do número de visitantes, no
entanto não há uma análise realista dos recursos dedicados. Não há
um acordo entre os objectivos traçados e o orçamento que temos à
disposição. O orçamento é muitas vezes um exercício apenas
académico…”

Entrevista a Virgílio Hipólito Correia Director do Museu
Monográfico e Ruínas de Conímbriga
EntrevistaVirgílioHipólitoCorreiacorrect _2_.pdf Conímbriga,
31/03/09 por Cassilda Cunha, Mariana Pereira, Joana Castro
Teixeira e Joana Santos alunas do 2º Ciclo em Arqueologia -
Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Portugal Virgílio
Hipólito Correia comemora este ano o 10º aniversário da sua tomada
de posse como Director do Museu Monográfico de Conímbriga. A sua
ligação ao museu e às ruínas é contudo muito mais antiga pois já
antes exercia funções nessa instituição, que se tornou numa
verdadeira Escola, marcante no percurso de todos os que dela vão
fazendo parte. No entanto, na opinião do Director, “a eternização
dos directores nos museus não é bom e devia haver um limite à
permanência”. Com efeito, esclarece Virgílio Hipólito Correia que o
exercício do cargo por tempo demasiado longo, cria ligações
umbilicais que se reflectem inevitavelmente na imagem e
funcionamento do museu: “Deixa de ser o museu X ou Y, para ser o
museu de A ou de B”. A anterior direcção do museu e ruínas [Adília
Alarcão] exerceu funções durante mais de trinta anos e a sua
influência ainda se nota pois há uma assumida continuidade em
várias linhas de actuação, segundo nos referiu Virgílio Hipólito
Correia. Na altura em que assumiu o cargo de Director, o museu
encontrava-se “marginalmente em melhores condições, sobretudo no
que diz respeito às funções relativas à conservação e restauro”. Na
altura o laboratório contava com cinco funcionários. Actualmente
funciona apenas com dois. Há contudo aspectos que conheceram um
manifesto melhoramento, nomeadamente no que diz respeito ao serviço
educativo que, como frisa o Director do museu: “estava diminuído e
agora, embora ainda não esteja bem, já há uma atitude mais directa
e sistemática”. Na verdade, ainda nos tempos da antiga direcção,
havia um elevadíssimo número de visitas escolares. Chegou a
registar-se 70 000 visitas de público escolar por ano. Ora este
número era claramente superior à capacidade de gestão das visitas
do museu/ ruínas. Dessa forma, o serviço educativo resumia-se a um
acolhimento orientado considerado mínimo e eram na verdade os
próprios professores que se encarregavam de conduzir as visitas. A
situação foi melhorando à medida que a tendência da organização de
visitas de escolas se deslocou no sentido de se realizarem com
grupos mais pequenos de alunos: “deixavam de vir as escolas
inteiras, mas apenas uma ou duas turmas de cada vez.” Por outro
lado, a marcação antecipada das visitas passou também a permitir a
preparação prévia por parte do museu, para adequar da melhor forma
os seus recursos às mesmas e assegurar assim um muito melhor
acolhimento e acompanhamento. A visita de pequenos grupos de alunos
tornou também possível a realização de ateliers. Mais recentemente
contudo, e em associação às alterações que tem sofrido o sistema de
ensino português, a tendência parece voltar a ser a das visitas
“para o agrupamento escolar inteiro, o que cria um problema de
gestão interna do museu, uma vez que não estão criadas as condições
de logística e de pessoal adequadas a um tão elevado número de
alunos em simultâneo”. Uma vez questionado acerca do projecto
actual do museu, Virgílio Hipólito Correia é peremptório: “ Eu não
vejo as coisas só pela perspectiva do museu”. Com efeito, a sua
prioridade aquando da tomada de posse como Director foi
precisamente intervir nas ruínas, o que considerou como sendo a
primeira fase do seu projecto. Na verdade, até então “o percurso
visitável era o mesmo que em 1940”. Ainda como técnico, o agora
Director fez parte do júri de selecção da equipa de intervenção de
um projecto apresentado pelo IPM para conservação e preservação das
ruínas. Os resultados foram aprovados, no entanto a prioridade para
execução do projecto não parecia ser a maior. Já como Director,
Virgílio Hipólito Correia fez pressão para os objectivos serem
concretizados: “em 2004 houve orçamento PIDDAC e em 2006 foram
inauguradas as ruínas com alargamento das visitas a todo o espaço
escavado.” Para 2009 “pensa-se num novo projecto, numa segunda fase
de intervenção. Já desde 1954 se diagnosticava o problema: parte da
cidade romana ainda está nas mãos de particulares”. Desta forma,
assume o Director como grande prioridade a aquisição desses
terrenos, bem como a intervenção na área norte da cidade romana,
definindo-se a entrada de Condeixa-a-Nova: “assim ficaremos com a
cidade enquadrada de forma modelar em termos europeus. E quando se
chegar a este ponto, dir-se-á que sim, que poderá ser necessário um
novo museu. Mas dar esse passo antes de se investir nas ruínas não
se justifica. Não haveria museu sem a cidade romana”. Esta será já
na verdade uma terceira fase de intervenção: “um museu novo, com um
projecto novo, talvez um edifício novo e até uma nova localização”.
Quanto ao actual museu, “quando foi remodelado [em 1985] era
porventura o melhor museu de arqueologia da Península; porém, com
vinte e tal anos de envelhecimento... o museu está bem enquanto se
aguentar”. Quanto ao público do museu e ruínas de Conímbriga,
define-o Virgílio Hipólito Correia, como sendo “um público muito
variado, o que traz dificuldades de gestão e de comunicação. Além
do público escolar, há uma franja de público proveniente do chamado
turismo cultural, minoritária mas muito importante, pois trata-se
de um público informado e que busca informação de qualidade, é um
público exigente. Quantitativamente, a fracção mais significativa é
aquela que podemos considerar como sendo um “público médio”, que
muitas vezes se organiza em excursões e visitam os sítios mais
emblemáticos e que tradicionalmente são conhecidos como “atracções
turísticas” – ou “locais-chave”. Efectivamente, segundo refere o
Director, desde os anos 50/60, que Conímbriga é destacada como
local a visitar em qualquer programa turístico: “goza assim de uma
certa tradição que se mantém até hoje, fazendo com que Conímbriga
se mantenha presente na memória das pessoas e dos próprios
programas de estudo escolar, mesmo não existindo actualmente
qualquer acção de marketing da nossa parte, pois nem se dispõe de
verba para tal”. Acerca do público do Museu Monográfico e Ruínas,
acrescenta Virgílio Hipólito Correia: “Temos ainda uma franja
curiosa de um público que provém do designado “turismo religioso”,
uma vez que Conímbriga acaba por se situar numa das rotas
principais do trajecto de e para Fátima”. Na verdade, segundo nos
esclareceu o Director, a própria Diocese de Coimbra valoriza e
sublinha a sua ligação histórica a Conímbriga, considerando-se
descendente do legado Visigótico, uma vez que era Conímbriga a sede
de diocese primitiva – testemunhada aliás nas ruínas da basílica
paleocristã que os visitantes podem observar durante a visita ao
sítio. A heterogeneidade do público que visita Conímbriga, com tudo
o que tem de positivo, não deixa de representar também uma
responsabilidade acrescida: “há dificuldades em falar, em nos
dirigirmos da forma adequada para os diversos públicos”, diz
Virgílio Hipólito Correia. Segundo este, há sobretudo um turismo
popular, pouco informado, que embora sendo pouco exigente deveria
ter um discurso a ele adequado: “não só por constituir um número
significativo de visitantes em termos estatísticos, mas sobretudo
porque o museu é um local com função educativa” - diz o Director.
Mas não há actualmente condições para assegurar essa variabilidade
de discursos por muito consciente que a direcção possa estar do
problema e por muita vontade que tenha de o resolver. “Há ainda o
problema da sinalética nas ruínas...”, diz Virgílio Hipólito
Correia, que considera de resto esta questão da sinalética
problemática em si própria: “Podemos pensar que o melhor que
podemos ter são placas informativas – mas mesmo estas podem ser de
difícil interpretação para muita gente. Uma planta por exemplo,
temos de ter em conta que nem toda a gente estará capaz de ler uma
planta...”. Assim, lutando contra as dificuldades, o Director do
Museu Monográfico e Ruínas de Conímbriga releva mais uma vez a
importância da marcação atempada das visitas dos grupos por forma a
mobilizar os recursos humanos, em número manifestamente
insuficiente, da forma que melhor permita colmatar as possíveis
lacunas. Segundo nos esclareceu, há sempre formas de adequar o
acolhimento: no caso de visitas de grupos de estudantes das
faculdades, por exemplo, estas são estendidas ao “backstage” do
museu, aos laboratórios, onde há um contacto aberto e dinâmico com
o pessoal técnico que tem resultado bem e motiva ambas as partes.
De resto, acrescenta Virgílio Hipólito Correia: “Tentamos ter os
nossos instrumentos de divulgação dirigidos a um público médio,
digamos assim. Algum público mais exigente pode ficar decepcionado,
mas tem também acesso a outro tipo de informação, por outro lado.”

Se a resolução do problema podia passar pelas tradicionais “visitas
guiadas”, como à partida se poderia pensar, Virgílio Hipólito
Correia mantém-se reticente: “O problema do cicerone é terrível...
É muito difícil manter-se nos “guias” um discurso cientificamente
correcto. Trata-se de um trabalho muito repetitivo e o discurso
vai-se naturalmente alterando, degradando...e depois sofrem o
efeito constante das perguntas que o público vai fazendo, que são
directas – podem ser estranhas por um lado, mas são muitas vezes
também as mais óbvias possíveis – no entanto nem toda a gente é
capaz de dar respostas adequadas, pois exigem conhecimento
científico e técnico especializado, pessoal altamente formado e
treinado”. O acolhimento ideal deveria portanto, segundo o Director
do museu, passar por uma interacção sistemática entre o público e o
pessoal técnico, e entre o público e os diversos sectores do museu,
que incluísse uma certa rotatividade nas funções desse mesmo
pessoal – pessoas em funções flutuantes, por forma a não estagnar
os discursos. O Museu Monográfico de Coimbra foi o terceiro museu
mais visitado em Portugal em 2008, segundo os dados do IMC. Isto é
um grande incentivo, como nos confirma Virgílio Hipólito Correia,
no entanto, por entre um encolher de ombros desabafa: “...o
problema está em não ter a estrutura para receber os visitantes que
temos”. Segundo nos explicou, no âmbito do PRACE (Programa de
Reestruturação da Administração Central do Estado) foram requeridas
análises de funções e de pessoal. Concluiu-se na altura que para o
adequado atendimento ao público e para assegurar o bom
funcionamento dos projectos de investigação e conservação, o
capital humano do Museu Monográfico e Ruínas de Conímbriga deveria
contar com um total de 76 funcionários. Na realidade contam-se
apenas 28, estando prevista a admissão de mais 7 guardas. Termina
assim Virgílio Hipólito Correia esta nossa entrevista, lamentando a
forma como as funções da direcção acabam por estar condicionadas:
“Pretende-se sempre um acréscimo do número de visitantes, no
entanto não há uma análise realista dos recursos dedicados. Não há
um acordo entre os objectivos traçados e o orçamento que temos à
disposição. O orçamento é muitas vezes um exercício apenas
académico…”